Mortal

acordei mortal
e tudo podia acabar
se o deus do céu da terra do mar
quisesse que assim fosse

se a lua cansasse
e caísse
se o sol sofresse uma desilusão
e congelasse
se todas as pedras do espaço
virassem uma
e viessem de encontro à Terra

como se as horas fossem mentira –
um conto de pai pra filho

acordei mortal
e o planeta girava
enquanto eu envelhecia
e os cientistas encontravam
respostas plausíveis
curavam doenças
compreendiam a miséria
faziam papel de deus do céu da terra do mar
e tudo podia acabar

como uma bomba que podia ser acionada
pra matar
não por mal
mas por vida
da qual os mortais não abriam mão
já que um dia morreriam

acordei mortal
como se a vida me gritasse
pra eu ir pra rua
pra eu dançar dentro da fonte
dos meus desejos inconfessáveis
pra eu beber dos meus erros
que aquilo havia de acabar

como se um dia
eu não fosse mais ter vinte e sete anos
como se a vida fosse um sopro
e eu junção de poeira de nada
que tem sorte de sentir
enquanto outros tantos já nem existem mais

ou como se eu fosse-
como num sonho-
apenas mortal

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