Poema bom

poema bom
se encarrega do tempo
e da mente longa
desenvolve suas rimas
soltando cordas às mãos famintas
e concretiza o que nunca aconteceria
na cabeça dos que não podem
com o agora
 
poema bom
sopra ar fresco no suor da solidão
transforma a madrugada em um sonho doce
beija a pele queimada de elucubrar
e puxa o indivíduo do fundo
de onde quer que seja
para ele respirar
na beira de onde tenha nome
 
poema que presta
arranca a casca e deixa sangrar
até o corpo decidir estancar a dor
por si só;
ele abre a janela
para o presente entrar
e espera acordado
a dor condensar, os olhos cansarem,
e o passado, confortavelmente, dormir
 
poema que é poema
é gente do bem
ombro amigo
colo de alguém
desejo que surge
em meio à repressão:
o poeta se orgulha
e aceita, nem que só enquanto o poema,
que a tristeza vale a pena
 
poema bom
escreve com ele
toda a história do tal momento
e escreve aquilo tão bem escrito
que as horas o reverenciam
e correm rápido, o mais rápido possível
para contar às outras
a notícia que vem:
calma, que o futuro vai bem
 

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