Perdas que lambem a alma
Se misturam à lágrimas
Que desembocam no rio
Das mágoas que precisam ser sentidas
Correm
Evaporam e viram vento
De paz
Perdas que soltam as pernas
Antes tão pesadas
Ancoradas à vidas passadas
Que insistiam na inércia
Acorrentadas a uma regra
Do ser quem nunca
Se foi
Perdas tão necessárias
Sem as quais as horas param
A mente adoece
A dor é quase palpável
E os dias
De dias não têm nada
Só escuridão
Perdas que libertam desejos
Antes nunca consideráveis
Que abrem espaço na mata
Antes tão assustadora
E que nos levam pelas mãos
Em direção à luz
De uma vida melhor
Perdas
