Cansou de ser santa

Segundo Eugênio, o psiquiatra de Cecília, havia dois grupos de pessoas no mundo: o grupo dos que nascem com os genes normais, e o grupo dos que nascem com os genes meio podres.
Cecília era paciente assídua de Dr. Eugênio há 8 anos, portanto não precisa nem dizer a que grupo ela pertencia.

Era falta de ar que chegava sem avisar fazendo o coração bater feito britadeira de investidor milionário, e gotas de suor que escorriam pelo corpo todo dando inveja às peruas que passavam o dia tentando eliminar impurezas dentro da sauna. Tremedeira por fora, por dentro, toc, tic, e todas as outras abreviações, traziam sempre com elas a certeza de que a morte estava seduzindo o seu quase cadáver de 30 anos.
Era lavar a mão repetidas vinte vezes ao pegar no dinheiro, encostar no chão ou cumprimentar qualquer pessoa para não ser devorada por alguma bactéria sem dó que a levasse a pular na cova de vez.

Era o marido que a largou por outra.
Era a depressão.
Era o pânico.
Era paranoia, neurose, insônia, tudo pra ontem, Whatsapp, Facebook, Instagram, vida louca, vida alheia, é assim mesmo, já tentou yoga, meditação? Vou te levar na minha igreja, sua vida vai mudar. Modernidades, minha filha, todo mundo sofre disso, não é só você, precisa saber lidar.

Não, nananinanão, são genes meio podres, Cecília, não reclama, que eu te conheço bem, e toma mais 10 gotinhas de Rivotril antes de dormir, questão de aceitação. Quantas receitas você quer? Pode ser duas, sim. Coloco duas caixas em cada receita, tá bom? É caro mesmo, mas é sua saúde, é isso que vale, pra aguentar São Paulo e o trânsito e toda essa vida artificial é o jeito, não tem como.

A irmã não tinha nenhuma pista, a não ser a última mensagem que Cecília mandou pelo Whatsapp três dias antes do sumiço: “Como você suporta essa vida?”. Tendo em vista que era uma reclamação constante de Ciça, assim como a chamavam, a irmã nem respondeu, estava tentando enfiar a colher de sopa de espinafre na boca do filho mais velho de 04 anos que se recusava a comer caso não ganhasse um ipad.

A mãe e o pai de Ciça não podiam imaginar do paradeiro da filha mais nova, ela nunca se abriu muito com eles, e a última notícia que tiveram da desnaturada foi na semana anterior, quando ligaram perguntando como ela estava em relação ao divórcio, ao que ela respondeu: “Ainda não morri”. Pareceu uma boa notícia.

As amigas alegaram que ela estava afastada de todos há um tempo, e acharam que seria prudente respeitar a vontade da amiga por alguns dias. “Se afundar na fossa por um tempo faz bem. Achamos que estava tudo normal, dentro do prazo aceitável de sofrência”.

Colegas de trabalho foram acionados, e deram a noticia de que Ciça havia pedido demissão. Sexta-feira havia sido último dia dela na empresa, teve até um almoço de despedida. Já era domingo, e ninguém sabia de nada. Dois longos dias de falta de informação e apenas um tracinho nas mensagens de Whatsapp.

A casa dela estava trancada, nenhum ruído chegava ao corredor, onde mãe, pai, irmã, cunhado, dois sobrinhos e duas amigas faziam barulho e gritavam o nome de Cecília na ingenuidade de serem atendidos.

“Vou arrombar a porta”, decidiu o pai.

As amigas sacaram os celulares da bolsa: Snapchat.

A mãe estava um tanto dopada de Lexotan, a irmã dizia para o filho mais velho esquecer do ipad, que a tia estava “desaparecida, pelo amor de todos os santos”, enquanto o marido dela ensinava o filho mais novo (02 anos) a desbloquear a tela do celular para que ele pudesse jogar joguinhos estúpidos quando começasse a encher o saco.

O pai de Cecília deu um impulso pra trás, correu desajeitadamente em direção à porta do apartamento da filha, e, chegando bem próximo da mesma, levantou a perna para a tentativa de um chute heróico. Enquanto a porta nem ameaçou se mexer, ele caiu no chão urrando de dor, e pronunciando a palavra “cazzo” quantas vezes conseguiu. Era o único palavrão que falava. Família italiana, aquela coisa.

Mesmo virada no Lexotan, e tentando levantar o marido do chão, a mãe, desajeitamente, lembrou: e a chave reserva do apartamento? Não estaria na portaria?

O pai pronunciou mais alguns mil cazzos por não ter lembrado.

Nesta hora, os Snapchats já bombavam com o vídeo do seu Roberto voando em cima da porta, e caindo como uma jaca no chão.

A irmã de Ciça foi atrás da chave na portaria, e voltou ao décimo andar orgulhosa, girando o chaveiro no dedo indicador. Ela tinha a atenção de todos, e os olhares voltados unicamente para ela, pela primeira vez. Dava até dó de usar aquela chave pra abrir a porta e acabar com o momento de celebridade.

Todos se aproximaram da fechadura do apartamento, e era possível notar o pavor, a curiosidade, o medo, e a excitação na cara de cara um. Não exatamente nesta ordem.

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E, finalmente, a porta foi aberta.

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Nada.

Nada de móveis, nada de pistas, nada de nada.
Vasculharam tudo, e nem o telefone com fio e velho estava mais lá. Celulares tirando fotos para todos os lados. Todo mundo tinha que saber. Alguém tinha que ajudar, aquilo era um filme de terror, será que nem uma carta ela deixou?

A Globo filmaria?
Dá pra perceber que tomei Lexotan?
Minha cunhada era louca mesmo, melhor assim.
Será que a maquiagem estava em ordem pro velório?
Eu precisava mandar aquele orçamento pro cliente, 20 mil reais dá pra muita coisa.
A tia Ciça morreu?
Tem herança envolvida?

“Mamãe, o que é isso?”
O sobrinho mais velho de Ciça estava pendurado em uma prateleira embutida na parede, em cima do terceiro degrau, segurando um papelzinho azul nas mãos.
A mãe arrancou o papel da mão do filho – mais um sucesso nas mãos, aquele dia estava sendo milagroso, a cartomante sabia bem o que dizia, 300 reais bem pagos – leu tudo cautelosamente, esticou o braço, apalpou a mesma prateleira na ponta dos pés, e encontrou mais um papelzinho igual.

“Aqui tem duas receitas de Rivotril. Com duas caixas em cada uma”.

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Uma noite, uma vida

Queria dar um descanso pra minha loucura, emprestar um tempo um mínimo eterno para ela dormir em paz, reconsiderar tudo o que pensa, e talvez mudar de ideia sobre suas inquietações.
Enquanto todo mundo espera uma vida melhor, ela só espera uma vida de verdade. Ela me pergunta se é pedir demais, e eu não sei responder, nem sei se um dia eu vou saber. Ninguém sabe o que é a verdade.
As pessoas fingem que sabem pra doer menos o levantar da cama pela manhã.
Costumamos falar sobre o futuro, e toda a vez nos arrependemos alguns minutos depois por termos perdido o presente. Nos culpamos por isso, e mudamos de assunto, tentando achar respostas eficazes para o fato de nos questionarmos tanto sobre tudo. Pensamos nas horas, na solidão, nos julgamentos, nas dores que nunca chegamos a sentir. Buscamos respostas, mas como a verdade não existe, continuamos nas perguntas.
Será que a vida é uma mentira?
Dorme, dorme em paz, eu digo. Ela não consegue, tem medo de perder o controle. Eu compreendo penalizada, e compreendo bem até demais. Resolvemos, então, jogar palavras na noite à dentro. Quando a madrugada te observa rolar na cama, sem rumo nem proteção, o melhor é conversar sobre isso com quem te ouve sem te julgar.
Freud dizia que a fala cura.
Assim, conversando com a minha loucura, é possível que as horas se percam nas palavras, e, cansadas de tentar entender, vão embora deixando minhas pálpebras pesadas.
Falamos sobre o sol, sobre as coisas que giram, sobre o universo, sobre cartomantes, sobre a Verdade e a Mentira. Vi cenas coloridas e presenciei diálogos que foram cortados por impulsos de razão e lucidez.
Ou mentiras.
Tenho interesse pelos opostos, então o assunto caiu sobre a chuva, sobre o tempo, sobre o peso da mesmice e da falta de luz em vidas que gastaram toda a sua energia com aquilo que não faz sentido. Aqueles homens dentro do elevador, cada um olhando o seu relógio, checando e-mails nos respectivos celulares, talvez pensando em uma forma de fugir do trânsito, do país, ou da vida.
Ou da verdade.
Ou da mentira.
Pude ver um deles chorando escondido, gente grande não chora, mas a dor não respeita esta verdade. Ele estaria acordado agora? Que horas eram?
Contei pra loucura que não me sentia bem de não me sentir bem, já que eu tenho tudo o que muitos não têm. A culpa aumenta, e junto com ela, as batidas do coração e o tamanho das horas.
Eu sou uma farsa?
Eu deveria ajoelhar e agradecer a Deus toda a hora por eu ser eu – digo à loucura, já pedindo desculpas pra quem quer que seja, e deixando claro que me importo, pra não ser castigada. Mas isso tudo dói ainda mais – o fato de ser injusto sofrer pela minha vida, e não pela dos outros, que agora passam frio ou calor na rua – já perdi a noção da temperatura também, assim como das horas.
Choramos juntas, eu e a loucura, até darmos risada. Sempre fomos assim: diante do desespero e dos pensamentos que soltam quilômetros de cordas à nossa criatividade e angústia, rimos.
Pensamos nas pessoas que conhecemos, e nos comparamos a cada um deles – um por um. Todos felizes? Aparentemente, sim. Sabemos que não é verdade? Sabemos. Mas eles podem mostrar? Não. E nós, podemos? Claro que não.
Ou isso é tudo mentira?
Estão todos doentes, ou as doentes somos nós?
O que é ser doente?
Estou inventando tudo isso?
Essa noite vai acabar, eu digo à minha loucura. Não somos onipotentes a ponto de acabarmos com o mundo por causa da nossa insônia. Ainda não alcançamos esse status.
Será que um dia eu vou ser tão poderosa sobre alguma coisa? Não importa. Se eu tiver poder sobre a minha mente, já estou muito satisfeita.
Estávamos falando há umas duas horas sem parar, resolvemos calcular. Chegamos a, inclusive, questionar sobre a felicidade e a estratégia da indústria farmacêutica para conseguirmos alcançá-la. Nos culpamos novamente. Fomos até Vênus e voltamos.
Mas a vista não dava pro mar.
Combinamos que amanhã passaríamos menos tempo na internet. Ligaríamos para o Dr. Rubens e finalmente marcaríamos a consulta – nossa saúde deveria vir em primeiro lugar (é o que dizem, mas no fundo no fundo, o capitalismo nos ensinou que isso é o que vem por último, na verdade. Ou na mentira). Pagaríamos a conta do banco, e contamos quantas horas teríamos para descansar se pegássemos no sono em cinco minutos. Tudo calculado, como a vida tem que ser.
Como o sistema injusto nos ensinou.
Ou injusta sou eu?
Esquece tudo isso, respeita as regras, foca na respiração, e dorme.
A loucura sabe que vai passar, como todas as outras noites, mas ela sempre precisa ouvir de novo. E tem que ser de mim, mesmo que eu esteja querendo dormir – o que é querer? É desejar, ou seguir as regras?
Ela me sacode para eu poder consolá-la, e, como quem não quer nada, deita de bruços ao meu lado na cama, apoia o rosto nos braços e me pergunta de um jeito travesso sobre quem eu sou e o que quero de tudo isso.
Acho essa pergunta muito impertinente para às 3 da manhã – chequei o horário no celular – mas não posso deixar ninguém sem resposta (e ela sabe disso), senão minhas entranhas começam a engolir umas às outras, o coração bate tão forte quanto a chuva na janela (esse barulho é de chuva, eu penso, ou já comecei a delirar, preciso ligar pro Dr. Rubens), o suor escorre nas costas como depois de uma maratona trás do tempo perdido, e penso que o mundo vai desmoronar por minha causa se eu não fizer algo que tenho condições de fazer naquele momento.
Falamos sobre ansiedade também. Precisamos levar a sério a nossa ideia de ajudar pessoas como nós.
Será que existe alguém como eu?
Eu não sei quem eu sou, e eu não sei o que eu quero, respondo.
Brigo com o choro, ele não pode vir de novo, por favor, vai prejudicar a respiração, o sono, minha vida inteira.
A noite é sempre dramática.
Olhamos uma para a outra com certa autopiedade, mas também com cumplicidade, sempre presente entre nós. Porque apesar de nada fazer sentido, ainda assim existe uma empatia grande que nos permeia, e isso não é a solução da questão Verdade X Mentira, mas nos basta naquela hora.
É bom saber que mesmo embaixo de horas muito sofridas ainda temos uma à outra e o nosso repertório para qualquer 3 da manhã que forem precisos – até pegarmos no sono juntas, quando as horas perderem o interesse na conversa, as pálpebras pesarem como disseram que deveria ser depois de um dia de trabalho, e acordarmos abraçadas uma à outra –
torcendo para o mundo ter amanhecido um pouco menos louco, ou, pelo menos, não tão injusto.

Modernidades

“Insira o seu cartão ou ticket, e obrigada”.

.

Ai, não.

Não, não, não.

Púúútaqueopariu. Cadê?

Cadê, cadê, cadê?

Gente, cadê essa droga? O homem de trás me mata.

De novo, caramba. Eu não aprendo, não tem jeito.

Bolsa, carteira, bolso interno 1, bolso interno 2, bolsinho interno menor 1, bolsinho interno menor 2, 3, 4, 5. Nécessaire de maquiagem, celular, estojinho sem nada dentro, bolsinha de coisinhas, óculos escuros, panfleto 1, panfleto 2, buraco embaixo do rádio, bolso da calça, do casaco, bate-peito-perna-cintura, embaixo do banco, ai minha costeeeela, caceta! Peraí, moço, segura aí, não buzina, por favor, eu sei que estava por aqui, eu paguei por isso, e não foi pouco.

Já sei! Ai, ai, ai… deixei no caixa.

Abre a cancela pra mim, por favor?

Não, não vou “estar parando” no meio do caminho, vou parar ali – pode, não pode? Beleza.

Bom, podia ser pior. Pensa sempre assim.

Moço, deixei aqui, não foi? O ticket! Não? Como, não? Eu paguei, moço! Não, não passei em lugar nenhum depois. Aiii, caramba, passei sim. Passei mesmo, não lembrava. Obrigada, moço. Desculpa. Tá, vou sim, valeu.

Quem é ele pra me mandar prestar atenção? Folgado!

Oi moça, tudo bem? Pois é, voltei! Não! Não vou levar a bolsa, sabe o que é, moça? Não, não, eu sei, ela é linda!

5 vezes sem juros?

Bom, já ajudaria, ela é maravilhosa. Tem naquela outra cor? Ai, tentação! Peraí, deixa eu ver.

Amiga, vc viu a foto q eu te mandei? Não baixou? Vou mandar de novo. Sim, tem a preta também, o q vc acha? Sim, tbm acho. É, mereço mesmo. Sim, é hoje. Não, não tenho nenhuma q combine com a roupa, vc tá certa, vou levar.

Moça, vou levar. Tá bom. Não, o presente é pra mim. Sim, CPF na nota, por favor. Quanto, mesmo? Ok.

Ok, ok, ok…. peraí, rapidinho, tô procurando a carteira. Gente, cadê a carteira? Ai, não é possível. Posso colocar tudo aqui? Nécessaire de maquiagem, celular, estojinho sem nada dentro, bolsinha de coisinhas, óculos escuros, panfleto 1, panfleto 2, chave do carro, ticket do estacionamento…

Ticket! Achei!

Moça, achei o ticket! Sim, eu estava procurando que nem doida. Mas a carteira ficou no banco do carro, eu estava na procura, tirei tudo da bolsa, e deixei lá! Já volto, moça, peraí. Volto, claro, segura aí, dois palitos.

Nem sei se precisava mesmo daquela bolsa, deve ser um sinal. A vida sempre dá esses sinais, muito cara. Gente, onde eu estava com a cabeça, não era mesmo pra levar a bolsa. Obrigada, Deus, pelo sinal.

Calma.

Parei no F1, ou F11?

Não, foi F1, certeza, eu até fiz a associação com a Fórmula 1 pra lembrar depois.

Mas, então, cadê? Cadê, cadê, cadê…? Ai, merda, era segundo subsolo! Esse é qual? Puts, tá errado.

Elevador, elevador…

Gente, esse negócio não chega, né? Pois é, parou no terceiro e nunca mais se mexeu. Nossa, muito frio, mudou do nada. Ai, deixa, vou pela escada rolante, mesmo. Tchau! Até mais!

Ok, pronto. Agora F1… Cadê, cadê, cadê…?

Uuuufa! Louvado seja. Carrinho lindo, te amo.

Ué… Bolso do casaco, não. Bolso da calça, não. Bate-peito-perna-cintura. Cadê? Gente, onde enfiei a chave do carro? Ah, vou por no capô mesmo, dane-se. Nécessaire de maquiagem, celular, estojinho sem nada dentro, bolsinha de coisinhas, óculos escuros, panfleto 1, panfleto 2, ticket do estacionamento…

Não, tem que estar aqui.

Bolsos internos, bolsinhos internos 1, 2, 3, 4, 5… Não.

Piada. Pi-a-da.

Não, não, não.

Não, não pode ser. Merda. MER-DA!

Não, moço, não precisa, tá tudo bem. Vai passar. Não, é meu rímel que borrou, não me machuquei, não, obrigada. Não quero ajuda, eu quero a chave, eu não tenho como entrar. Moço, continua a sua ronda aí, olha, aquele cara tá na contramão, fala lá com ele, e me deixa aqui? Jajá passa. Obrigada.

Escada rolante 1, escada rolante 2, loja da bolsa.

Oi, voltei! Não, moça, então, eu deixei a chave do carro aqui, não deixei? Sim, depois eu volto pra bolsa! Ok, não, é rapidinho. Eu preciso abrir o carro pra pegar a carteira, entendeu? Sim, sim. Eu sei, moça, é linda mesmo. Aham. Sem juros, lembro. Não, eu sei. Sim, sem dúvidas, o tecido é ótimo. Moça, eu realmente preciso ir lá, mas já volto. Imagina, sem problemas, eu entendo. Não me machuquei, não, é o rímel que borrou, achei que tinha tirado, esqueci. Bom deixa eu ir lá, moça, já venho, tá bom? Ok, tá bom. Sim, jajá.

Afff, já sim, a-ham. Espera sentada, mulher chata.

Ai, tadinha. Pensamento horrível, judiação, só está fazendo o trabalho dela. Trabalhar em loja é tão difícil, como eu posso falar assim? Que maldosa, eu. Desculpa por telepatia, moça.

Segundo subsolo, F1, cheguei.

Há, de primeira.

Chegueeei! Nem acredito!

Céus, que benção.

Eu tenho a chave do carro, tenho ticket do estacionamento, tenho carteira, não tenho bolsa que eu pagaria pro resto da minha vida.

Gente, que felicidade. Sou privilegiada.

Celular, Waze: ca-sa.

Ca-sa.

CA-SA.

Não tem asa, é CASA!

Não tá rolando, tem que escrever pra essa droga funcionar.

Estamos prontos? Sim! Vamos. Vamos!

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“Este cartão ou ticket venceu o tempo limite de pagamento. Por favor, dirija-se ao caixa mais próximo, e obrigada”.