Saída

O mundo deu as costas pra mim.

Então eu ajoelhei de frente para a parede branca, e pedi ajuda.

Rezei por horas, dias, anos, séculos.

Até perder a criatividade.

Quando achei que já havia esgotado todas as minhas possibilidades,

olhei para o lado e encontrei uma caneta.

Desenhei o mundo na parede.

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Amor

quando temos a certeza

de que vai doer

e insistimos em continuar…

então,

estamos amando.

 

Assim me sinto menos só

há dias em que as palavras engasgam na garganta

correm soltas com o vento

escorregam pelos dedos

não se deixam ser desenhadas…

nessas horas,

eu só torço para alguém agarrá-las por mim

e me contar

o que eu sinto.

 

Por trás do que se vê

Deus sabe o que eu escondo atrás dos meus olhos meio-mel que choram ao ver uma cena de amor ou de morte. Deus sabe o que corre nas minhas veias nos momentos mais difíceis e insuportáveis, e o quanto as fantasias tomam conta da minha mente, fazendo com que eu me pergunte se alguém no mundo, além das estrelas, pode compreender o que é isso. Deus sabe que a criança que chorou no parquinho nunca teve a intenção de machucar ninguém, e nunca quis que acontecesse como aconteceu. Aos 25 eu ainda não sei quem eu sou, e nem sei se um dia vou saber. Eu tenho tanto sentimento que transbordaria a galáxia e afogaria tanta gente… Mas a criança ainda existe, e ela não quer ferir ninguém – ela perdoou o passado, mas aquilo ainda dói. Muita coisa dói. Por isso eu guardo tanto, e converso comigo mesma me perguntando se alguém no mundo sabe o que isso significa. Deus sabe. A gente anda conversando através das palavras e daquilo que não tem nome. Um papel e uma caneta, que eles me trazem ar sem sufocar mais ninguém.

.

E mais alguns minutos se passaram: eu ainda estou viva.