Mais um dia

Dou a volta ao mundo sem sair do lugar, toco o fundo do oceano da beira da praia, conheço o oriente ocidentalizando o meu jeito de ser. Norte e sul se misturam dentro de mim e a bússola gira em descompasso. Ninguém sabe onde eu estou, e eu sei que me perco nas profundezas de mim mesma a cada tentativa de pegar ar do lado de fora. Quando foi que isso aconteceu? O relógio também está desregulado, e não me aponta mais as horas, apenas os medos. Por que raios isso se deu? Astrólogos explicariam com base na posição dos planetas; cartomantes tirariam valetes e damas para dançar; médicos usariam bases científicas e investigariam meu código genético. A verdade é que nasci pra enfrentar a vida e me dar conta de que o tudo não passa do nada. A curiosidade corre solta dentro de cada célula daquilo que eu sou – mais um ser que habita o mundo dos sobreviventes – e me leva pra passear todo o dia pela Via Láctea me devolvendo em casa para a hora do jantar. A minha mente gira nos anéis de Saturno e volta pra minha alma em questão de milésimos de inseguranças, sem dar tempo de eu me preparar. Outro dia peguei carona na cauda de um dragão e fui entregue do inferno ao céu através de um impulso que a fera deu ao me ver chorar – os monstros nunca são tão maus quanto parecem ser.

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Hoje a noite está linda, o céu lotado de estrelas, e minhas esperanças voltam a habitar meu corpo. Não há explicação astrológica, cartomante ou médica. Ligo o rádio e viajo pra longe daqui: amanhã é um novo dia.

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Categorias:Reflexões

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1 resposta

  1. Os homens precisam acima de todas as coisas um tônico de moral; aí reside o segredo ao mesmo tempo do seu estoicismo e de seu agnosticismo; luxo aqui, um misticismo estéril lá – estes foram minando a força dos homens, e toda a energia que poderiam comandar foi necessária na luta do caráter. Eles devem se esforçar e agonizar-se para “reduzir a vontade”, empurrando seu caminho “contra a corrente”, para atravessar a tempestade “oceânica” da vida e chegar ao refúgio de paz. E devem fazê-lo sozinho, não confiando ao sacerdote, ou o sacrifício, ou a ajuda do Céu.
    The Buddha’s Way of Virtue, by W.D.C Wagiswara and K.J. Saunders, [1920]
    “Renuncie todo o mal: conserve o bom: purifique o seus pensamentos mais íntimos — este é o ensinamento de Buddhas”

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