Maria

Maria que nasceu da dor e do suor e da força. Maria que anda descalça na roça com seus pés rachados de tanto sonhar. Maria que tira o leite da vaca de manhãzinha pra dar pros seus dois filhos, João e Maria, por falta de criatividade e de inspiração. Maria que vai pro tanque limpar e perfumar as roupas com a sua persistência e rusticidade, é a mesma que, como uma fada, cura as feridas abertas das duas crianças que caem no chão de terra quando brincam de parar o tempo. Maria que canta sem letra, sem melodia, quase sem voz. Maria que mata bicho na raça, sem dó nem piedade, é a mesma que faz carinho no cachorro pulguento. Maria que conta as estrelas do céu sem nem mesmo entender dos números, é a mesma que reza pra Nossa Senhora cem vezes sem parar. Maria que espera um dia diferente do outro e se encanta quando o céu chove de surpresa. Maria que faz a janta com as mãos calejadas de tanto esperar, é a mesma que beija seu marido recém-chegado do pão-de-cada-dia, e que, ao fazer isso, sente seu corpo se inovar.

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Categorias:Contos, Reflexões

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